quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Use suas cores.


O porto espera o navio
com toda a sua calma banhada de sal.
A calma espera a doçura
ambas amigas do porto afinal
A dona de casa ajeita a moldura
olhando um retrato na sua lembrança.
A criança que fez um recorte
colou na parede da sua infância.
O velho pintou outro quadro
fez aquela tarde morar na visão.
O rapaz gostou tanto da moça
que fez pra ela mais uma canção.
Falava de reis e rainhas,
amores eternos e compreensão.
E todos são cenas, retratos,
recortes, colagens e imaginação.


sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Torneira do pensamento

P
PO
POE
POES
POESI
POESIA
POESIAC
POESIACON
POESIACONC
POESIACONCRE
POESIACONCRETA
OESIACONCRET
ESIACONCR
ACO



quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Decidi



Por agora não
Desisti das crônicas
Fui poetizar
Separei o lápis da mão

.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

nuvens


O que as nuvens trazem

Além da sua água?

Todas as formas alísias

Que a água no céu possui

[um clarão na noite escura e fria]

E no meu pensamento noctívago

Na horizontal divulga

Que as gotas de algodão

Dantes no céu tristonho

São matérias-primas

Ao cobertor que servirá

Pra eu seguir sonhando.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

meus dias.

Prosa e poesia


Os seres humanos co-habitam a Terra de duas maneiras, que por serem diferentes entre si são complementares.


Enquanto movemos nossos corpos, cadenciando-os ao ritmo de uma canção; Enquanto nos deleitamos com o recreio dos olhos, observando as estripulias do acontecer-por-aí; Enquanto abrimos nossos poros à disposição do som da vida, como numa reverência ao silêncio; Enquanto nos despimos em frente ao espelho dos nossos olhos, reparando em nós mesmos e nos reconhecendo seres-no-mundo; Enquanto respeitamos o mistério que há em vivermos ao mesmo tempo o “eu” e o nós diante de muitos “eus” e “outros” que existem; Enquanto nos descuidamos daquele tempo que não é o nosso e nos lançamos na sublime harmonia de ter no peito o tempo (consciência) de que precisamos pra nos projetar diante das coisas.


Assim é quando habitamos poeticamente.


Enquanto pensamos e racionalmente decodificamos a realidade, como nos binômios, distinguir – entender, nomear-dominar; Enquanto medimos no tempo as horas de que precisamos para chegar onde queremos/devemos estar; Enquanto trabalhamos durante o dia, regularmente, para podermos alcançar as coisas que precisamos pra reproduzir nossas próprias condições de existência; Enquanto decidimos dormir cedo mesmo sendo maravilhoso passar a madrugada em claro, pensando, nos guardando, para as atividades regulares do dia seguinte.


Assim é quando habitamos prosaicamente.


Essas duas dimensões do viver humano, apesar de serem opostos entre si, são partes de um todo que se mantém em constante retro-alimentação. É preciso existir o viver prosaico para que o viver poesia exista e tenha valor (significado, sentido). O ser humano é completo na medida exata dessas duas dimensões.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

com você.


Se conseguires sentir-se só

Tão só. [só]

Peço então que venhas comigo

Para ficarmos sós, sozinhos [só – só]

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

O descuido do poeta

Outro dia eu comecei a passear pelo meu país.

Ter um país pequeno sempre foi meu sonho durante a
infância. Não como um sonho desses que a gente faz força pra
realizar. Este está mais pra uma imagem que eu sempre cultivei.
Essa imagem me tomava horas quando eu era criança. Ficava
imaginando os limites do meu país pequeno, as ruas de
paralelepípedo e o formato das casas.

A única figura sempre recorrente nessas imagens era a de um
poeta. Como figura comum. Como um bem comum a todos do lugar.
Quase que como um funcionário do Estado. Nos meus pensamentos ele
sempre estava andando pelas ruas. Não a dizer poesias. Ele só andava
disposto. Disposto a falar com as pessoas e sobretudo disposto a
olhar para as coisas. E não é isso que nos faz poetas?

Andando por essas ruas, comecei a segui-lo. Ele andava em
silêncio e distraídamente, já que estar distraído é uma virtude
própria de um poeta, ele deixou cair um papel. Eu não disse nada e
nem o avisei sobre o descuido. Caminhei até lá, me abaixei e peguei
o tal papel. Quando comecei a ler o que estava escrito, percebi que
se tratava de uma carta. Não tinha endereço nem nada. Como
evidência de que era uma carta destinada a alguém, notava-se apenas
um título: "Pro moço do tempo". Continuei lendo. Eram escritos bem
sinceros e já era de se imaginar por se tratar de uma carta que ao
que tudo indicava, parecia ter sido escrita pelo poeta.

Todo o conteúdo da carta era um convite à um relacionamento
saudável. Falava de uma disposição para caminhar. Mas não de
qualquer forma. Era uma proposta absolutamente linda. Falava da
caminhada como algo que deve ser compartilhado com alguém somente
sob a condição de se estar lado a lado. A caminhada exige muita
cumplicidade. Há de se ter em comum os objetivos e os passos. Mas
talvez, a maior evidência que posso citar dessa cumplicidade esteja
em compartilhar os encontros e desencontros. Em ter que acompanhar
a dinâmica progressiva que, para prosseguir, tem a obrigatoriedade
de deixar algo pra trás. Compartilhar esse abandono me pareceu
muito bonito. Lembrei da minha infância e da minha adolescência.
Tive que abandonar essas posições pra poder crescer.

Percebi que o poeta do meu país pequeno já tinha mandado a
carta assim que a escrevera. Só colocar aquilo num papel já
significava a aliança. Era como que um tratado de paz. Me dei conta
da importância do poeta no meu país pequeno, coloquei a carta no
bolso e continuei andando só.

A carta dizia:

"Pro moço do tempo
Se quiser andar até onde for o olhar
deixo estar assim
em paz
vou te acompanhar
venço a pressa
entendo o passo
sou mais eu se fico com você
aprendo a caminhar com passos firmes
é só te dar a mão
e sair."


O poeta, sabendo da temporalidade de cada um, decidiu
caminhar bem com o seu tempo.


comigo

Passo boa tarde só

O céu enquanto muda de cor

As horas entornando tristeza

No mar da saudade

Enquanto o rubro invade

E no meu peito arde

Dois desejos e um amor

terça-feira, 6 de outubro de 2009

ao que sente

olhei para fora quando resolvi os meus

foi embora

livre

o pensamento que se perdera

assim, criei juízo do lado de dentro

passeando pelos quintais do “vir a ser”

voltei a sonhar com flores

aproveitei os ventos

me deslembrei do tempo

voltei a reparar nas cores

tão belas

tão bem vestidas

tão bem escolhidas

o que me faz ter certeza que foram colidas

nos versos lidos de uma linda poesia

imaginada

escrita

por Você

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

começo.

Pensar no que começar e não saber onde será o final, no que vai dar.

Desce daí, ô pensamento [!], de nada vale ser superior se o seu comprimento não passa do meu teto. A arte de perceber “ser” aqui, entre nós, é o início do melhor dos fins. Por isso, pensamento, faça sua parte, e permaneça até o final (pensando bem, assim será melhor pra nós dois).

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Olá

esta é a tomada.
está.
como coisa que vem antes.
parte fundamental do que é.
estamos ligados.